Entenda quais foram os impactos do COVID-19 na experiência do colaborador

Segundo o Google Trends, houve um aumento de 52% de busca no Google por “experiência do colaborador”, desde o começo de março até hoje (25/06/2020). Nota-se, portanto, um aumento da importância desse assunto nos últimos meses, o que fornece fortes indícios de que a experiência do colaborador foi bastante impactada pelo COVID-19. Agora, as empresas estão buscando maneiras de proporcionar uma boa experiência, tanto no trabalho remoto quanto em qualquer outro modelo de trabalho.

Quando falamos em Employee Experience, uma importante personalidade que serve de inspiração é o Jacob Morgan, autor de diversos best sellers sobre o futuro do trabalho, palestrante e futurista nos campos de liderança e experiência do colaborador. No seu livro The Employee Experience Advantage, ele desvenda o campo promissor de olhar a gestão de pessoas através da ótica da experiência do colaborador, dividindo essa abordagem em 3 dimensões (ou ambientes), agrupando fatores importantes na construção de uma boa experiência.

O primeiro grupo seria o ambiente físico do trabalho, isto é, fatores que são extremamente palpáveis e de fácil percepção: a estrutura dos espaços de trabalho, ambientes de socialização (ou a falta deles) e até a decoração do ambiente. Em segundo lugar, está o ambiente tecnológico do trabalho, ou seja, palpáveis de forma intermediária, mas ainda de objetividade alta, incluindo: ferramentas de trabalho, sistemas da empresa e a disponibilidade (ou não) desses elementos para os colaboradores. Por fim, está o ambiente cultural do trabalho, sendo ele o de menor objetividade e percepção não tão óbvia, consistindo nas regras, acordos e normas da empresa, incluindo também aquelas que podem não estar documentadas, apesar de serem de conhecimento dos colaboradores.

Três ambientes fundamentais para a experiência do colaborador
Três ambientes fundamentais para a experiência do colaborador, segundo Jacob Morgan (Forbes, 2015)

Frente ao cenário imposto pelo COVID-19, diversas empresas em todo o mundo precisaram migrar toda sua força de trabalho para o modelo remoto de maneira ágil e sem preparos prévios. Dessa forma, a experiência desses colaboradores mudou drástica e rapidamente, bem como os três macro ambientes estudados por Morgan. Agora, exploraremos os impactos e possíveis tendências em cada um dos ambientes explicados anteriormente: 

A transformação do ambiente físico

O espaço físico do trabalho foi, em termos práticos, o mais afetado pelo isolamento social. Os escritórios das empresas, isto é, o espaço que centralizava todos os colaboradores, não mais representa o único ambiente de trabalho, modificando a sua influência na experiência do colaborador. Dessa forma, o espaço doméstico de cada indivíduo representa o novo espaço físico do trabalho, trazendo tanto oportunidades quanto pontos de atenção em relação à experiência.

Nesse cenário, as pessoas que dividem o lar com o colaborador, sendo elas esposo(a), filhos(as) e até animais de estimação se tornaram os novos atores que influenciam o dia a dia do trabalho. Outro ponto de atenção dessa mudança é a ergonomia, tendo em vista que o conforto e segurança anteriormente oferecidos nos escritórios e espaços físicos das empresas tiveram que ser adaptados ou até mesmo improvisados para o Home Office. Este aspecto foi um dos primeiros a ser abordado e solucionado pelas empresas, no intuito de oferecer condições mínimas para a realização do trabalho remotamente.

Por fim, cabe a reflexão sobre um novo ambiente de trabalho que está surgindo no momento atual. O espaço físico, que antes era fundamental para as interações entre colaboradores e rituais de cultura da empresa, teve que ser rapidamente substituído para uma realidade virtual, onde pessoas se conectam e interagem por meio de ferramentas e plataformas online. Desse modo, o local de socialização entre colaboradores sofreu uma importante transformação e todas as atividades que antes só eram possíveis de acontecer presencialmente estão sendo redesenhadas para o ambiente digital. Além da quebra de paradigmas, essa mudança influencia diretamente a experiência do colaborador, que passa a perceber a empresa de uma maneira menos física e mais relacional. De agora em diante, as empresas possuem o desafio de ressignificar os elementos e referências físicos que agregavam na experiência do colaborador, à exemplo dos espaços de trabalho interativos, salas de descanso e sala de jogos. É preciso repensar as formas de interação entre colaborador e empresa, a fim de entender quais são os novos elementos digitais que irão impactar positivamente a experiência do colaborador.

Os impactos do ambiente tecnológico

Apesar de ser um fator menos palpável, o ambiente tecnológico foi extremamente mudado no cenário do trabalho remoto. Ao migrar centenas ou até milhares de colaboradores do ambiente físico para o ambiente domiciliar, houve a necessidade de fazer alterações no que diz respeito ao acesso a sistemas e ferramentas da empresa. Por se tratar de um deslocamento forçado, abrupto e sem tempo para planejamentos, as empresas lidaram com diversos desafios nesse quesito. Nessa perspectiva, as maiores dificuldades enfrentadas dizem respeito à adaptação dos sistemas da empresa ao ambiente domiciliar, principalmente em relação ao acesso e utilização das ferramentas. Além disso, surgiram novas preocupações com a segurança das redes corporativas, privacidade de informações sigilosas e ataques cibernéticos.

Um dos fatores que pode ser impactado negativamente pela falta de acesso a sistemas e ferramentas corporativos é a produtividade. Colaboradores em home office que não possuem o suporte tecnológico necessário para realizar suas atividades cotidianas naturalmente apresentarão uma queda de desempenho. No início do isolamento social, através da escuta ativa dos seus colaboradores, a VLI identificou que houve uma dificuldade em manter a produtividade por conta da sobrecarga do VPN (virtual private network, ou rede privada virtual) da empresa, prejudicando a realização de tarefas que anteriormente mostravam-se rotineiras. Após a identificação dessa dor, foi possível solucioná-la por meio de investimentos em uma rede com maior suporte, mostrando a adaptação ao novo cenário.

Apesar das dificuldades, a experiência de trabalho remoto ofereceu oportunidades de melhoria no que tange aos recursos tecnológicos oferecidos pelas empresas. Nos últimos meses, a tecnologia revelou ser a principal ferramenta de conexão entre o colaborador e o ambiente corporativo, sendo também fundamental para a realização do trabalho no dia a dia. Hoje, a tecnologia permite um melhor desempenho das atividades, garante a comunicação e interação com outros colaboradores e facilita a gestão da experiência do colaborador. A tendência é que cada vez mais esse aspecto passe a fazer parte do dia a dia de trabalho, digitalizando processos, atividades e vivências que impactam diretamente na experiência do colaborador. 

O futuro do ambiente cultural

O ambiente cultural talvez seja o aspecto menos objetivo e palpável do trabalho, porém sua influência na experiência do colaborador é inegável. Mesmo com a subjetividade inerente à cultura organizacional, mudanças mais objetivas causam grande impacto nesse aspecto. A transição para o trabalho remoto, por exemplo, impactou a cultura de muitas organizações. Os rituais das empresa precisaram se reinventar: happy hours não são mais presenciais, confraternizações precisam ser inovadoras e digitalmente acessíveis e feedbacks não ocorrem mais com o “olho no olho”. Assim, diversos profissionais de RH já relatam que a cultura sofreu grandes transformações frente ao novo cenário. 

No trabalho remoto os desafios residem, principalmente, em criar (para novos colaboradores) e manter (para os antigos) a cultura, se fazendo presente mesmo à distância. Para ultrapassar essas dificuldades, é necessário “pensar fora da caixa”, ou melhor ainda: esquecer que a caixa existe; reinventando completamente as iniciativas para fomentar uma cultura inovadora dentro das empresas. A Alelo é um exemplo a ser seguido nesse sentido, trazendo a criatividade e adaptação para esse aspecto essencial na experiência do colaborador. A empresa percebeu que é possível manter a cultura organizacional sem os elementos tradicionais do passado. Um exemplo muito comum de ritual nas empresas são as festas corporativas, que representam um grande evento, envolvendo muitos colaboradores e sendo muitas vezes uma forte característica da cultura da companhia. O desafio agora consiste em adaptar essas tradições para uma nova realidade. No caso da Alelo, as festas corporativas continuaram acontecendo, porém, 100% remotas, em um novo ambiente (digital) e com novas características.

Não pense fora da caixa, a caixa não existe mais

A modificação abrupta do modelo de trabalho presencial para o remoto trouxe profundas mudanças, afetando os três componentes-chave para a experiência do colaborador, segundo Jacob Morgan. Nesse cenário, houveram complexos impactos no ambiente físico, tecnológico e cultural do trabalho, culminando em mudanças significativas e trazendo à tona a discussão sobre a importância desses aspectos na experiência do colaborador. E há um ponto em comum entre eles: a necessidade de inovação.

Atualmente, já é quase consenso que a vida como era antes não retornará e que serão necessárias intensas modificações na forma em que vivemos e, como consequência, no modo em que trabalhamos. Nesse âmbito, para gerir a experiência do colaborador de modo a torná-la mais positiva e memorável, é necessário olhar para o futuro e enxergar esse momento como uma oportunidade de reescrever a jornada do colaborador dentro das empresas, buscando adaptar a experiência de trabalho às novas necessidades trazidas pela distância e pelo ambiente digital. Dessa forma, será possível obter o sucesso como organização no novo mundo que está se formando hoje.

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