O mito da não-produtividade no trabalho remoto

Nesta quarta-feira (03/06), realizamos o segundo episódio da Remote Work Experience Week, série de webinários organizada em parceria com a Revista HSM Management, para abordar os principais temas e descobertas acerca do trabalho remoto no cenário do COVID-19, obtidos por meio da pesquisa Remote Work Experience.

Nesse segundo dia, foi discutido um tema um pouco controverso no contexto de trabalho remoto: produtividade. Trouxemos para esse debate o Ederson da Silva Almeida, gerente geral de Gente na VLI, e o Rubens Pimentel, CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial e especialista no assunto de produtividade no trabalho.

Nossas descobertas sobre produtividade no trabalho remoto

Existe um estigma de que o trabalho remoto reduz a produtividade do colaborador. No entanto, os resultados da pesquisa Remote Work Experience, que atingiu mais de 100 mil colaboradores no Brasil e em outros 13 países, nos mostram conclusões diferentes: 81% dos respondentes acreditam que a trabalho remoto não afetou a produtividade da sua equipe. Contudo, 20% afirmam que sentiram um impacto na produtividade do time. De certa maneira, um dos fatores de influência para esse resultado é o acesso a ferramentas e sistemas. Portanto, também é importante ressaltar que 85% dos colaboradores participantes da pesquisa sentem que tiveram um bom acesso aos recursos necessários. Em contrapartida, 15% dos colaboradores não estavam satisfeitos com esse tópico.

Com o uso do artifício da inteligência artificial, identificamos alguns tópicos emergentes com base nos comentários abertos. Um dos que mais nos chamou atenção foi o tópico VPN. Através de uma análise de sentimentos feito por algoritmos, constata-se que quase 42% dos respondentes possuem sentimentos negativos sobre este tópico. O alto número de colaboradores não satisfeitos com a questão do VPN chamou atenção, evidenciando um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas nesse cenário de trabalho remoto.

Como a VLI lidou com a produtividade à distância e atingiu recordes de resultados?

Os resultados da pesquisa Remote Work Experience surpreenderam positivamente a VLI, principalmente no que diz respeito à produtividade. A alta favorabilidade em relação ao nível de produtividade da equipe surpreendeu a liderança da empresa e esse resultado foi refletido no negócio. A VLI obteve recordes de produção nos meses de Abril e Maio, relatou Ederson da Silva Almeida, gerente de geral de Gente na VLI.

Todavia, mesmo com as metas sendo batidas e a produtividade mantida, a empresa enfrentou algumas adversidades no início da pandemia. A VLI escolheu aplicar o Remote Work Experience logo no início da transição para o trabalho remoto, assim como a Natura, gerando a possibilidade de acompanhar a experiência dos colaboradores em tempo real. Nesse cenário, Ederson afirma que houve uma certa turbulência no momento inicial da nova rotina. As principais dores eram a “superlotação” do VPN e a sobrecarga do horário de trabalho.

Os resultados da pesquisa, gerados em tempo real, indicaram quais eram os principais desafios enfrentados pelos colaboradores e assim, a VLI conseguiu agir rapidamente e de maneira muito assertiva. A insatisfação com a questão do VPN foi eliminada através de novas soluções técnicas. Em relação ao respeito à carga horária, a empresa instituiu diretrizes para regular a rotina de trabalho dos colaboradores, como estabelecer limites para horários de reuniões (das 8:30 e até às 18:30) e bloqueio do horário do almoço (entre 12:30 e 13:30). Nesse aspecto, trabalhar a comunicação entre os líderes e os liderados foi essencial para as altas taxas de sucesso das iniciativas, afirma Ederson.

O segredo para obter produtividade no trabalho remoto

Para enriquecer esse debate contamos com a participação do Rubens Pimentel, especialista em produtividade, que trouxe ótimas provocações sobre o tema. Um dos pontos levantados por ele é a mudança na perspectiva em relação à produtividade nas últimas décadas, criando nos dias de hoje uma valorização na qualidade das entregas e não somente o número de entregas feitas. Junto a isso, adiciona que o modelo de trabalho remoto possui vantagens e desvantagens, como todos os outros. Isto é, possibilita maior liberdade e autonomia, ao passo que requer mais disciplina para se manter produtivo, afirma Rubens.

Outro ponto trazido a partir de uma pergunta do público foi: como mensurar a produtividade? Segundo Rubens, existe um grande desafio em mensurar atividades que são qualitativas. Nesse cenário, afirma ele, é necessário avaliar o progresso em relação ao esforço que determinado colaborador está empregando para alcançar os objetivos. Entre outras palavras, como está sendo executada a estratégia de trabalho da pessoa para atingir suas metas.

Por fim, foi discutido como a liderança impacta na produtividade. Segundo Rubens, estudos sobre esse tema apontam para uma tendência dos líderes em se tornarem uma barreira de produtividade. Para contornar esse problema é preciso estabelecer acordos bem definidos com o time. Esse feito, além de aprimorar a comunicação, fortalece o alinhamento de expectativas, favorecendo a agilidade das entregas. Os altos níveis de produtividade da VLI podem ser explicados, em partes, pela cultura da empresa de sempre estar presente. Ederson comenta que, na VLI, os líderes durante o período de home office se aproximaram mais das suas equipes e aumentaram a frequência das conversas, promovendo um maior alinhamento de expectativas, acordos e entregas.

Podemos concluir que, um dos pontos-chave para manter as equipes produtivas é o alinhamento entre os colaboradores. Por isso, é essencial dedicar esforços, como empresa, para garantir a comunicação clara e efetiva entre os pares, principalmente entre líderes e liderados. Dessa forma, as expectativas serão alinhadas, a produtividade mantida e os objetivos alcançados. Apesar das dificuldades, vimos que é possível navegar no “novo normal” e obter ótimos resultados, tanto como empresa quanto em relação à experiência do colaborador.

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