Saúde mental no cenário de COVID-19: um bate papo com Natura, Pin People e HSM

Ontem (02/06), tivemos o primeiro dia da Remote Work Experience Week, série de webinários organizados pela Pin People em parceria com a Revista HSM Management para discutir sobre os temas mais relevantes e as principais descobertas relacionadas ao trabalho remoto no contexto do COVID-19, obtidas através da pesquisa Remote Work Experience.

Para o primeiro dia de webinário selecionamos um tema crítico no atual contexto em que vivemos: saúde mental. Para conversar com a gente sobre esse assunto, convidamos a Aline Alves Félix, gerente de Employee Experience, Employer Branding e Cultura na Natura e Patricia Tobo, gerente de Ciências do Bem-Estar na Natura.

O que aprendemos sobre a saúde mental dos colaboradores?

A primeira coisa que chamou atenção em relação à saúde mental dos colaboradores no cenário do COVID-19 foi a diferença entre os resultados quando separados por gênero. 33% das mulheres consideram não estarem bem em relação à saúde mental, enquanto apenas 22% homens compartilham do mesmo sentimento.

Ao aplicar inteligência artificial nos comentários abertos identificamos alguns tópicos emergentes, entre eles: Filhos e Ansiedade. Percebemos que esses tópicos possuíam forte ligação entre si. Para entender melhor as causas dessa correlação, analisamos quais eram os sentimentos expressos pelos colaboradores em relação ao tópico Filhos. No que diz respeito à diferença entre o sentimento de homens e mulheres, a disparidade dos números impressiona. 49% dos homens relatam neutralidade e 24% possuem sentimentos negativos em relação ao tópico Filhos. Entre as mulheres, apenas 35% relatam neutralidade e 33% apresentam sentimentos negativos para esse tópico. Isso traz à tona a diferença de perspectiva dos gêneros em relação aos filhos e fornece fortes indícios da sobrecarga que muitas mulheres e, especificamente, mães sofrem com nova rotina do trabalho remoto.

No que diz respeito aos sentimentos de diferentes gerações sob o tópico Filhos, os resultados também possuem consideráveis diferenças. As gerações Y (de 20 a 39 anos) e X (de 40 a 59 anos) são as que mais sentiram os impactos em conciliar os filhos com a nova rotina do trabalho remoto: 35% e 28%, respectivamente, indicaram sentimentos negativos em relação a esse tópico. Os Baby Boomers (de 60 a 74 anos), por sua vez, indicaram apenas 12%.

O segredo da Natura no trabalho com saúde mental e bem-estar

A pesquisa Remote Work Experience foi aplicada na Natura logo no início do isolamento social, possibilitando desde cedo o acompanhamento em tempo real das dores dos colaboradores frente ao trabalho remoto. Foram mais de 21 mil comentários registrados e a adesão dos colaboradores na pesquisa ficou acima de 70%. Segundo a Aline Alves Félix, a partir dessa iniciativa, foi possível mapear os pontos mais críticos para a experiência dos colaboradores, sobretudo para o grupo de mães.

A Natura sempre teve um forte posicionamento em relação ao bem-estar do colaborador, o que facilitou a implementação de novas inciativas para tratar desse assunto no atual contexto de trabalho remoto. A área de Ciências do Bem-Estar, criada há 14 anos na empresa, estuda materiais científicos com o objetivo de embasar a importância deste tema, tanto para seus colaboradores quanto para seus clientes e aplicar metodologias comprovadas de bem-estar para diversas unidades de negócio, relata Patrícia Tobo, gerente da área.

Essa abordagem única fornece uma maior segurança para solucionar as dores dos colaboradores na Natura. Assim, após a identificação do problema, iniciou-se o diálogo entre as áreas de Ciências do Bem-Estar e de Employee Experience, Employer Branding e Cultura para desenhar iniciativas que melhorassem os níveis de bem-estar e saúde mental dos colaboradores em trabalho remoto. O primeiro passo foi estratificar os resultados da pesquisa de trabalho remoto para entender a profundidade do problema e priorizar possíveis planos de ação. Junto a isso, foi feito um estudo de artigos científicos sobre epidemias anteriores para mapear os eventuais efeitos psicológicos da pandemia do COVID-19 e, por meio da análise de outros países que já passaram por situação semelhante, traçar potenciais estressores na saúde mental e física das pessoas. Com os dados da pesquisa em mãos indicando exatamente onde agir e com as conclusões dos estudos científicos, a Natura foi capaz de implementar soluções rápidas que se adaptassem ao cotidiano dos colaboradores de maneira assertiva. Dessa dinâmica surgiram resultados incríveis, como: a criação de um aplicativo de meditação, distribuição de kits ergonômicos e até rodas de conversas para pais e mães. Além disso, a ação do dia das mães consistiu em disponibilizar um dia inteiro sem nenhuma obrigação para elas, presenteando-as com um bem muito valioso: tempo.

Menos opiniões, mais comprovações

Diversas empresas enfrentaram dificuldades para implementar o modelo de trabalho remoto e cuidar da experiência do colaborador em um cenário tão desafiador. De fato, não há uma fórmula mágica para isso, mas existem alguns caminhos que tendem a ter mais sucesso. A Natura nos mostrou que a escuta ao colaborador, análise de dados, trabalho transdisciplinar entre áreas e o envolvimento dos líderes nas iniciativas foram medidas fundamentais para enfrentar esse momento com mais confiança e assertividade.

As conversas e discussões que acontecerem nesse primeiro dia de webinário possuem em comum a seguinte conclusão: cuidar da experiência do colaborador só é possível através do entendimento dessas pessoas. E esse entendimento só será alcançado através de comprovações, não opiniões. Para a tomada de decisão ser mais humanizada, é necessário conhecer mais os seus humanos.

Ainda dá tempo de se inscrever na Remote Work Experience Week e acompanhar os debates com casos reais de empresas que tiveram sucesso em solucionar os desafios do trabalho remoto. Basta clicar no botão abaixo para acompanhar os próximos webinários. Inscreva-se:

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